quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Relatos perdidos do caderno de um universitário dos anos 2010 (texto 1)

 Eu não sei o que sinto por Natália. Eu sei que ela é maravilhosa, encantadora, criança e inconstante. Profunda, tão imensamente profunda quanto um buraco negro. Eu queria tanto conhecê-la, vasculhá-la. Um explorador numa floresta virgem ou um desbravador. Quero vê-la, o que há dentro do amontoado de carne do corpo dela. Um arco-íris e um carrossel ou a casa dos gritos? O que ela guarda dentro do seu sempre aberto sorriso? Como ela pode ser tão estranhamente única, estranhamente cativante?

Não estou apaixonado por ela. Mas não é necessária a paixão para sempre se surpreender com aquela mulher. 

Mas ela é tão inconstante. Sua personalidade e seus jeitos são sempre tão caóticos. Imprevisível? Essa é a palavra. Se eu desse um passo, quanto tempo até ela cansar de mim? Isso partindo do pressuposto que aconteça algo entre nós. Eu sei que qualquer pessoa poderia dizer: "você não vai saber se não tentar", mas essas pessoas não são assim tão próximas dela para entender o que quero dizer.

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