Olha o algoz, olha o tropeiro
policial, bandido certeiro
Eu fui para casa
rumei a sair daqui
fui pra minha casa do mato
na Praça da República
tanta desgraça, banhada com sorriso
No meu teto de papelão
e colchão duro de pedra
Em vizinhança de menino de rua
o último a dormir, fecha a porta e apaga a lua.
Vou sair daqui
viajar pra minha casa
se tem-teto à desgraça
com parede de papelão
colchão duro como pedra
nego amargando solidão
Vou em viagem
com a cola em minha mão
a esmola na outra mão
e um olhar de desconfiança
a mesma mão que dá alguma comida
é aquela que aperta a ferida.
O mesmo olho olha com tanta pena
é aquele que lança o medo
e me jogo na solidão.
Mas quando chegar
onde quer que seja
vou esperar algo melhor
e morrerei com tiro de policial.
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