quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Relatos perdidos do caderno de um universitário dos anos 2010 (texto 17)

 Olha o algoz, olha o tropeiro

policial, bandido certeiro


Eu fui para casa 

rumei a sair daqui

fui pra minha casa do mato 

na Praça da República

tanta desgraça, banhada com sorriso

No meu teto de papelão

e colchão duro de pedra


Em vizinhança de menino de rua

o último a dormir, fecha a porta e apaga a lua.


Vou sair daqui

viajar pra minha casa

se tem-teto à desgraça

com parede de papelão

colchão duro como pedra

nego amargando solidão


Vou em viagem

com a cola em minha mão

a esmola na outra mão

e um olhar de desconfiança

a mesma mão que dá alguma comida

é aquela que aperta a ferida.

O mesmo olho olha com tanta pena

é aquele que lança o medo

e me jogo na solidão.


Mas quando chegar 

onde quer que seja

vou esperar algo melhor

e morrerei com tiro de policial.

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